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Vínculos

  • 31 de jul. de 2021
  • 2 min de leitura

​Quando somos bebés e crianças, o vínculo materno é fundamental para um saudável desenvolvimento geral. No meu caso, desde muito cedo que resido em casas de acolhimento, os primeiros anos de vida passei-os com os meus pais, mas foi muito escasso e por isso cresci e desenvolvi-me sem ter esse carinho.

​Tenho vindo a refletir sobre que consequências terei na minha personalidade que foram provocadas por essa ausência.

​Uma delas já aqui falei no blogue, o muro que construi à minha volta para que mais ninguém me pudesse magoar. Vivia tudo pela rama, nem muito contente nem muito triste e sem nunca deixar ninguém entrar no meu mundo. Isto traduziu-se numa imensa solidão.


​A par disso, as referências que tinha de família foram-se construindo com o que via na televisão ou nos contos infantis, completamente desfasadas da realidade portanto!


​Mas depois não sei bem se a minha distração (quase patológica) tem alguma ligação ao meu passado, se o meu jeito com crianças tem alguma relação com a minha história de vida, ou mesmo se o meu recente optimismo perante todas as coisas resulta das minhas vicissitudes ou não. Estou a conhecer-me melhor, em terapia e com a maturidade que vem com o tempo.


​Trabalho todos os dias para largar as poucas amarras que ainda me restam à tristeza de outrora.

​E tudo começou no lar onde estou agora, conseguiram aos poucos rebentar a bolha em que me refugiava, mas foi preciso muito trabalho de ambas as partes.


​Quero com isto dizer que a criação de vínculos é muito importante, o sentimento de pertença, a rede de segurança para onde sabemos que podemos cair até de olhos fechados. Eu respirava tristeza, transpirava lágrimas, não sabia o que era amor, nem dar nem receber...


​Hoje sei o que isso é, e hoje sou muito feliz e amada, sei a quem posso recorrer, sei que não estou sozinha. E isto aconteceu-me muito tarde na vida e por isso deixo um testemunho que espero ser de esperança para quem achar que “é tarde de mais” ou “isso nunca me vai acontecer”.




 
 
 

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Comentários


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Aqui podes ficar a conhecer a minha história, a minha experiência de viver em casas de acolhimento a minha vida toda!

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