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Viver num lar e ter namorado, fácil ou impossível?

  • Foto do escritor: Story of my life Blog
    Story of my life Blog
  • 9 de jul. de 2021
  • 2 min de leitura

Não é um assunto que me custe falar, é apenas um tema sobre o qual eu não me sei expressar muito bem, é estranho, não é? Causa algum embaraço, mas como é das perguntas que me fazem mais frequentemente, cá vai.


Então é assim, há regras da instituição que dificultam um pouco os namoros mas não são proibidos. Dentro do Lar não podemos usar telemóvel, só os computadores (com internet) o que significa que não há troca de mensagens durante a noite por exemplo. Há regras rigorosas de horário de entrada e saída a cumprir e nem todos os encontros que temos se regem por um relógio, portanto, sim pode ser um grande desafio namorar nestas circunstâncias, mas há famílias em que é igual ou pior.


Como já contei em textos anteriores, no Lar vamos ganhando regalias conforme o nosso comportamento. Assim se compreende que existam meninas com a mesma idade mas com autorizações diferentes para sair, ou seja, as mais responsáveis podem sair mais e por mais tempo e vice-versa. Felizmente eu sou uma dessas mas demorei algum tempo a conquistá-lo.


Para nossa segurança quando queremos sair autonomamente ou dormir em casa de uma amiga, as técnicas falam com os pais da nossa colega ou informam-se bem do sítios que queremos frequentar. Farei o mesmo se tiver filhos, mas aos 15 anos - por exemplo - isto é uma “grande seca” e deixa pouquíssima margem para mentirmos e irmos arriscar outras experiências com rapazes (ou raparigas!). Temos de ser muito criativas ahahaha.


Com o tempo e a partir de uma certa idade, acabamos por criar uma relação de confiança com as técnicas e podemos sair à noite a discotecas, ir à queima das fitas, jantar fora e namorar o tempo que quisermos (pelo menos no Lar da Santa Cruz, nos outros lares não sei mas não há-de ser muito diferente). Às vezes até lhes pedimos conselhos amorosos.


Eu acho que o mais difícil é mesmo contar ao nosso pretendente a namorado que vivemos num lar de acolhimento e permitir-mo-nos ser gostadas depois de tantas pessoas nos terem feito sofrer no passado. Quer nos contactos físicos quer na partilha de intimidade emocional. Eu estive bloqueada durante muito tempo, desconfiava de todas as investidas que recebia.


O normal é começarmos por fingir que vivemos com familiares muito rígidos e por isso não podemos falar muito tempo ao telemóvel ou nos atrasarmos. Muitas vezes acabamos por meter os pés pelas mãos só porque não queremos que descubram que não temos uma “vida normal”, ou que nos deixem ou até que tenham vergonha de nós por causa do sítio onde vivemos. E isso para além de cansativo faz-nos sofrer e vivenciar os namoros com ansiedade, como se um amor na adolescência já não desse trabalho que chegue. E por isso, há algumas meninas que adiam bastante o início da sexualidade.


Já para não vos contar como testemunhei pais de namorados a proibir as relações como se tivéssemos lepra...



 
 
 

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