Vacations mode ON!
- Story of my life Blog
- 18 de jul. de 2021
- 3 min de leitura
Aaaah chegou o tema que condiz com o tempo…férias! Esta é a altura que eu mais gosto (e não serei a única certamente), deitamo-nos mais tarde, vamos à praia, fazemos jogos e temos os passeios incríveis que o Lar nos prepara. Contudo não foi sempre assim, passei a minha vida quase toda sem nunca ter tido férias programadas.
Na minha primeira casa de acolhimento, íamos à praia no verão e pouco mais, lembro-me que todos os anos em maio passávamos um dia em Fátima. O lado bom é que como aquilo era uma quinta não nos faltava diversão, tínhamos os animais, campos enormes de girassóis, bicicletas, patins e tanques de lavar a roupa que serviam de piscina para os mais novos. Este foi aquele que fechou por não ter condições…
Na minha segunda casa de acolhimento, que era uma casa mais pequena, também íamos à praia e era só isso. Contudo a casa tinha um jardim grande e uma espécie de campo de futebol onde podíamos fazer brincadeiras como jogar hóquei em patins com vassouras ou paus e acabávamos sempre por nos divertir.
Vou passar a terceira casa à frente, porque nada tenho de bom para vos contar (e do tempo em que estive em casa da minha mãe nem vale a pena recordar) ao contrário da minha quarta e última casa. Aqui o meu primeiro verão foi incrível, e os verões seguintes ainda melhores.
O Lar tenta sempre dar-nos umas férias inesquecíveis e todos os anos fazemos uma viagem para fora do distrito do Porto. E para tal faz campanhas de angariação de fundos. Mas por mais estranho que possa parecer (ou não), há muitas pessoas (muitas!) que acham que por sermos da instituição, o facto de termos umas férias diferentes e preenchidas não é uma prioridade. Como se o importante fosse apenas termos habitação e alimentação, e estar agradecidas por isso dado que tudo o resto é luxo! Não é fácil explicar que um dos bens mais preciosos é o bem-estar emocional, e o sentimento de pertença, e que isso muitas vezes se trabalha nestes momentos que aparentemente são só de brincadeira. Mas é nas férias que se criam vínculos, que se baixam as guardas, que há relatos espontâneos, se fortalece confiança, reforça autonomia e se ri muito. E se isto tudo não é importantíssimo então não sei o que será.
Das recordações de férias que mais gostei foi de ir a Lisboa, fomos ao oceanário e ficamos a dormir num pequenino e modesto hotel. Jantamos pizza e foi muito divertido. Mas já fizemos muita coisa desde temporadas em casas de férias a parques aquáticos, piscina, visitas guiadas a exposições e museus, fazer caminhadas, etc. AH! E as Olimpíadas do Lar da Santa Cruz, que saudades. Era um concurso que durava vários dias, separávamo-nos por equipas e no fim o grupo vencedor ganhava um prémio. Que imaginação têm aquelas técnicas! Entretanto começamos a ser muitas com mais de 16 anos e as Olimpíadas deram lugar a coisas menos “infantis”.
Agora tenho férias também com a minha família afetiva e fazemos tudo aquilo que é “normal”, mas que eu nunca tinha feito antes. Fazer merenda para ir à praia, visitar familiares, ver filmes juntos no sofá, jogar às cartas, conversar, fazer petiscos fora de horas, fugir à dieta e não ter horas para nada.
Mesmo arriscando ser mal-interpretada, queria acrescentar o seguinte: é de louvar que as grandes empresas por vezes ofereçam uma atividade. Mas ponham-se no nosso lugar; queremos ser mais do que as coitadinhas do lar, ver respeitada a nossa individualidade e privacidade mas depois temos de andar em grupo, com t-shirts iguais (alusivas à marca) com pessoas à nossa volta a olhar para nós com olhares de pena e no fim por vezes até tiramos uma foto para a newsletter da empresa, só falta mesmo colocarem-nos umas etiquetas a dizer «criança desvalida» ...

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