Os dois lados da mesma moeda
- Story of my life Blog
- 29 de jun. de 2021
- 3 min de leitura
Sofri de bullying na escola. Infelizmente esta afirmação já começa a ser tão frequente que temo que um dia se torne normal. Uma triste normalidade.
Uma pessoa pode sofrer bullying por diversas razões; pelo seu peso, pela cor da sua pele, pelo fato de ser estudioso, por ser tímido, por não compactuar com certas atitudes, etc. De modo geral, o bullying envolve intimidação e agressão de forma continuada por alguém que se acha superior. Não vou tecer muitas considerações sobre o assunto, mas antes relatar-vos a minha experiência.
Quem já passou por este tipo de situação sabe que fica registado na pele para sempre.
Era uma criança/jovem popular entre os demais, tinha o meu irmão mais velho o que me proporcionava mais “segurança” na escola, o que me permitia ser mais livre até certo ponto. Fui feliz na infância, apesar das adversidades da vida. Contudo, na minha adolescência as coisas mudaram muito.
Não tinha justificação nenhuma para começar a maltratar outras raparigas/rapazes, mas comecei a fazê-lo para me poder sentir integrada na escola, para que aquilo não acontecesse comigo. “Se não os podes vencer junta-te a eles”, infelizmente! Juntei-me ao grupo dos mauzões e comecei a maltratar quem não tinha as mesmas capacidades que eu, nunca sozinha, pois sozinha não era capaz de fazê-lo. Gozei com as pessoas porque elas eram gordas, porque usavam óculos, porque não tinham roupas giras… tanta coisa, hoje arrependo-me de tudo o que fiz e peço desculpa a todas essas pessoas porque tenho a certeza de que se lembram de mim como uma parva que as magoava.
Mas a vida tem formas engraçadas de nos dar lições às vezes. Nesse mesmo ano fui viver com a minha mãe (acontecimento que já vos contei anteriormente). E quando a situação começou a piorar lá em casa, ficamos sem água, sem luz, sem comida e comecei a ser gozada na escola porque cheirava mal, andava com roupa suja, porque pedia comida aos meus colegas e porque comecei a ficar mais deprimida. Foi uma onda de escuridão, foi tudo ao mesmo tempo, juntem os meus textos “Não é só nos filmes” com a “Experiência falhada” mais este porque foi tudo na mesma altura num espaço de um ano.
Mais tarde, quando fui integrada no lar da santa cruz, fui para uma escola onde também estudava outra menina do lar. Uma menina muito mal-comportada e que ninguém gostava, portanto fui logo carimbada à entrada, nem tive hipótese. Vinha do mesmo lar que ela e por isso aos olhos dos meus colegas era tão “má” como ela. Não me incluíam nas atividades de grupo, chamavam-me nomes e fizeram-me sentir um lixo só por viver numa instituição. E isto aconteceu na fase mais deprimida que tive, depois de tudo ter corrido mal com a minha mãe. Nesta fase achei mesmo que não valia a pena existir.
Mas felizmente consegui mostrar quem era, fui conquistando o meu lugar na escola, e hoje tenho ainda amigos desse tempo.
Por isso hoje deixo um apelo, estejam atentos ao que se passa na escola dos miúdos (e graúdos), e principalmente se por acaso não vivem com um bullie. Ou seja, se a vossa sobrinha, afilhado, primo, filha é demasiado crítica/o em relação aos colegas, se não os classifica como o “totó” ou o “manco”, ou “aquela menina deficiente”. Se não discrimina meninos/as por causa das marcas das sapatilhas que usam ou porque é pobre. É nos pequenos pormenores que se vê.

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