Homossexualidade nas instituições
- Story of my life Blog
- 19 de ago. de 2021
- 2 min de leitura
O nosso desenvolvimento emocional, psíquico e físico vai acontecendo ao mesmo tempo que acontece o abandono, o mau-trato, o abuso, etc. Por vezes estes timings são a combinação explosiva para, por exemplo, a construção de uma personalidade depressiva, psicótica, etc. E se ainda associarmos a isto tudo a descoberta da sexualidade, que para alguns jovens significa não se sentirem bem no próprio corpo ou desejarem alguém do mesmo sexo, dá-se um nó daqueles difíceis de desatar…
Foquemo-nos apenas nas questões simples e práticas: partilha de quartos e casas de banho. Gerir o dia a dia – na infância e adolescência - vivendo na mesma casa com alguém que desejamos, ou com alguém que nos deseja.
Eu vivi em duas casas mistas (acolhia rapazes e raparigas), e em ambas havia sempre alguém que namorava com outro/a residente, havia sempre alguém que tinha uma atração por outra/o, às vezes do mesmo género. No lar só de meninas nunca aconteceu, mas podia. Eu tenho amigas que gostavam de pessoas do mesmo sexo, e que conheci no acolhimento.
Mas como é que é suposto reagirmos, quando partilhamos o mesmo quarto com essa pessoa? Fingir que não nos apercebemos dos olhares enquanto vestimos o pijama? Ou devemos mudar os nossos hábitos e começar a ter outros comportamentos? Pedir para trocar de quarto? Fazer “queixa”? Onde começa e termina a privacidade? Não sei a resposta. Passei por isto um par de vezes, e o tempo encarregou-se de os diluir e normalizar. Claro que, quando se fala abertamente do assunto torna-se tudo mais fácil, mas na adolescência não há esta maturidade de pensamento.
Fui testemunha de alguns casos em que jovens acolhidos se afirmaram homossexuais dentro das instituições. Embora considere isso naturalíssimo, quando era mais nova fazia-me confusão e tinha preconceitos fruto da minha ignorância. Só mais tarde percebi o tamanho da coragem que é preciso para eles/elas se terem “revelado” ao mesmo tempo que lidavam com todos os (outros) desafios da vivência em instituição. Mas desde então que tento sempre apoiar quem passa por isso e “educar” quem está à minha volta para uma maior tolerância e aceitação.
Termino deixando um convite a quem quiser contar na primeira pessoa como é que é (ou foi) viver numa instituição sendo homossexual. Podem enviar-me de forma anónima se quiserem. Juntos vamos mudar mentalidades!

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