Castigos corporais
- Story of my life Blog
- 4 de jul. de 2021
- 2 min de leitura
Bater em adultos é agressão, bater em animais é crueldade, bater em crianças era (ou ainda é) dar educação.
Em 2007 mais de metade dos estados-membros da união europeia tinha abolido os castigos corporais contra crianças e, acreditem ou não, em 2008 eu passei por isto.
Durante toda a minha infância fiz tropelias de todas as qualidades e feitios, pelo menos até ser apanhada por alguém (freira ou funcionária) e levar um grande puxão de orelhas ou umas “boas” reguadas…
Mas um dos episódios que mais me marcou foi na escola, sinceramente nem me lembro do que fiz para ter merecido um castigo daqueles, andava no quarto ano, nesta altura fazia bastantes asneiras, como atirar papel molhado para o teto das casas de banho, nunca nada que pudesse magoar outros. Bem, o que me aconteceu foi que, e é só disto que me recordo, fui obrigada a ajoelhar-me em cima de arroz cru, sem ter qualquer tipo de proteção para os joelhos. Eu não sei se alguma vez isto vos aconteceu, mas sabem de uma coisa? Doí para caramba! Ainda doí, psicologicamente, fui obrigada a estar naquela posição durante horas a escrever não sei quantas vezes “Não volto a repetir este meu comportamento”. Quando acabei de escrever as minhas pernas nem se queriam desdobrar, parecia que tinham ficado presas naquela posição, quando, finalmente, consegui erguer-me do chão o arroz estava completamente espetado nos meus joelhos e tive que o sacudir de forma bruta, fiquei marcada, com hematomas e passei uma vergonha imensa porque toda a minha turma sabia que eu tinha tramado alguma e que tinha ido para o gabinete da diretora de castigo.
Se foi grave, eu não sei, não me recordo, mas aquele castigo ficou-me registado para sempre na memória. Andava num colégio privado que tinha uma parceria com a instituição onde eu vivia naquela altura. E isto era apenas um dos muitos castigos que se praticavam lá, há 12 anos atrás. Não sei se ainda é assim hoje, espero que não!
No lar onde vivo agora, há muitos muitos anos atrás cortavam os cabelos curtinhos às meninas quando tinham piolhos, batiam-lhes com uma colher de pau enorme e obrigavam-nas a ajoelhar numa pedra de granito que havia na antiga casa. Estas histórias contam senhoras de outros tempos, porque agora já cá não está ninguém dessa altura.
Sei também de histórias de outras casas de acolhimento onde os castigos são feitos com base na humilhação e privação de contactos com familiares, enfim…. Melhoramos muito enquanto sociedade e enquanto instituições de acolhimento e estabelecimentos de ensino, mas ainda há um longo caminho a percorrer.
Os castigos corporais podem causar danos físicos, psicológicos ou até mesmo por a vida da criança em risco. Existem formas positivas de disciplinar, ensinar e corrigir que são mais adequadas e que permitem a criança criar uma relação baseada na confiança e respeito mútuo. E nada educa mais uma criança que o EXEMPLO!

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