Autoestima, Auto-conceito e Auto-imagem
- Story of my life Blog
- 23 de jul. de 2021
- 2 min de leitura
A autoestima é fundamental, mas isso já todos sabem. Mas como ter autoestima quando achamos que o mundo não nos quer, que somos um estorvo para a sociedade? Quais os danos na nossa personalidade quando os nossos (biologicamente falando) nos falham?
No caso de crianças/jovens que vão para casas de acolhimento muito provavelmente têm um conceito de si próprios muito frágil e negativo (ninguém nos quer ou não prestamos para nada) falo por experiência própria. Passámos parte da nossa vida a ser maltratados pelos nossos familiares, que muitas vezes nos dizem de forma constante que a culpa é nossa e nós interiorizamos isso mesmo.
O facto de nós sermos considerados “problemáticos” quer pelos nossos familiares, quer aos olhos das pessoas externas às casas de acolhimento faz com que confirmemos essa ideia errada. No entanto isso não significa que não sejamos fortes ou resilientes, muito pelo contrário, quando nos ensinam a ter amor próprio acabamos por nos aperceber que somos mais fortes do que alguma vez imaginávamos.
Eu nunca fui uma miúda com grande autoestima, ainda hoje luto com o espelho, não pela minha aparência, pelo menos não na totalidade, mas porque o cérebro por vezes teima em recordar-se do passado… do que passei e senti, das dificuldades que tive. Relativamente à minha imagem, acho que sempre gostei do meu corpo, mas houve alturas em que as dúvidas surgiam porque me chamavam muitas vezes de gorda na escola ou diziam que cheirava mal, e houve momentos em que acreditei e fui abaixo, depois de ter passado aquele ano com a minha mãe aí então sentia-me mesmo como um lixo.
A nível intelectual, sei que não sou burra, mas também nunca fui uma aluna brilhante. Durante muitos anos não sabia bem qual era o meu valor, ou sequer se o tinha.
Graças ao Lar da Santa Cruz comecei a ter uma postura muito mais positiva em relação à pessoa que sou, consegui desenvolver laços de afecto, deixar a culpa de lado e confiar nas minhas capacidades… Nas outras instituições onde vivi, não senti este trabalho e atenção à parte emocional com os miúdos e isso é um erro muito grande, porque sem ela não se dão passos seguros em prol de um projecto de vida saudável. E ter uma família de afecto que me mostra diariamente que mesmo que eu não seja perfeita não me irá nunca abandonar, é sem dúvida a cereja no topo do bolo. Isto é o que eu mais desejo a todos, uma rede de apoio (familiar ou não) que nos permita explorar o mundo sem medo. O resto vem por acréscimo!
P.S. - A quem interessar, POR FAVOR não digam aos miúdos institucionalizados coisas como: “vais ser um inútil como o teu pai”, “essa má-educação está-te no sangue”, “vais acabar presa como a tua mãe”, “se fosses meu filho também não te queria”.

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